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Marcos Resende Canções

Marcos Resende Canções

Helena das Sete Luas

Pintura Mulher 041.jpg 

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Tuas mãos têm sete luas.
Teus pés, a dança das cobras.
Teus lábios, veneno e vinho.
Teu rosto, riso e navalha.

Teu ventre tem sete algemas.
Tua boca, a voz dos fantasmas.
Teus pés, ventania e vício.
Teu corpo, inferno e tocaia.

Teus dedos têm sete sóis.
Teus pés, a dança das águas.
Teus olhos, lagoa e lua.
Teu corpo, incêndio e mortalha.

Teus olhos têm sete estrelas.
Teus lábios, fogo e deboche.
Teu peito, punhal e sangue.
Teus dedos, ódio e chicote.

Teus olhos têm sete rios.
Teu corpo tem duas fomes:
teu ventre, atiçar meninos;
teus pés, esmagar os homens.

Parceria com Lula Barbosa

São Paulo, 1993

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Tudo em Paz

Mulher 096.jpgÍndice Canções

Pode ser que um sono bem dormido
faça você mudar de opinião — ou não.
Pode não ser e pode ser; quem vai saber?
Até amanhã tudo pode acontecer,
posso morrer,
e até viver de amor eterno ao lado seu.
(Você e eu.)


(Pois é.)
Meu otimismo até me contagia;
minha alegria,
dia a dia,
sobe mais de cotação.
Se você voltar, recomeçar, serei feliz;
se não voltar, serei feliz, serei feliz.
Minha razão vai muito em paz nas relações com o coração.


Este dilema em meu sistema
não é problema que me possa espezinhar;
na minha bossa a fossa foi-se e vai ficar.
(Nem quer voltar!)


Pode ser que um sono bem dormido
faça você mudar de opinião, senão,
tem muito tempo, vamos ver, não tenho pressa,
ninguém me apressa, e por que me aborrecer?
Posso morrer.

E além do mais, sinto certeza quase certa
de que amanhã, na hora certa,
o nosso encontro encantará o acontecer
de vida aberta ensaiando o amanhecer.

(ainda sem música)
Varginha, 1967

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Velas Vermelhas

Mulher 741.jpg Índice Canções

Velas vermelhas
abertas ao vento
como a carne das ruas,
como o corpo das frutas,
como as moças novas, nuas,
nadam nas noites de lua.

Terras vermelhas
e casas antigas,
fotos em velhas paredes
dormem no sono das lendas,
como as moças novas, nuas,
dormem no colo das redes.

E dormi no rio manso de seu corpo.
Velei o seu descanso e enlueceu.
Madrugou.
Você sumiu como um ladrão na madrugada.
Como as moças novas, nuas,
brincam de amor e... mais nada.

Em parceria com Jean Garfunkel
São Paulo, 1973

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Você, Molhada em Luz

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Tirei meu coração do gelo e mergulhei distante da dor.
Girei num girassol gigante e me deitei nos braços do sol.
Mirei minha miragem pálida entre os estilhaços do espelho,
e um sol vermelho
saiu, sangrou, feriu, furou
o silêncio de meus medos,
os segredos de meu sonho.
E um sinal se viu.
O mar se abriu.
Você surgiu molhada em luz.
E pousou seus pés na espuma,
caminhando pelas águas.
Abraçou meu pranto.
Beijou meus olhos.
Lavou meu rosto
em seu olhar de lua cheia.

E na areia, o vento em véu
violenta, inventa o céu.
Uma nuvem morre.
O sol escorre.
Amanheceu.
Você dançou, chorou, gingou, girou, jurou
um amor maior que a vida,
sem medida, medo ou lágrima.
E se abriu em flor,
se abriu sorrindo.
Amou tão lindo.
Sorriu tão lindo.
Amou demais.

Parceria com Michel Pedro Filho
Varginha, 1972
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Você em Sombra de Sonho

Mulher 089.jpg

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Tento te esquecer, invento tanto,
e no entanto, meu intento se desmancha no espaço.
Então, eu tento te esquecer, mas, já não sei o que fazer
pra desfazer tua presença em meu cansaço.

Quando fico só, eu só consigo
ter comigo a tua ausência, tão constante, tão doída.
Então, eu tento te esquecer em minha insônia, e não consigo.
E te persigo pela sombra, pela vida.

Tento te esquecer, invento tanto,
e no entanto, eu já não posso te esconder que estou chorando.
Enfim, eu sinto o fim, eu sinto um sonho morno sufocando.
Um sonho morto, me envolvendo, me matando.

 

Em parceria com Michel Pedro Filho

Varginha, 1972

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Você Chegou Para Ficar

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Você chegou para ficar e não ficou.

Me fez guardar o seu lugar e não usou.

Brincou comigo o quanto quis, depois, fugiu.

Eu me encontrei, eu me encantei, você não viu.

Foi por amor que você disse ter chegado.

Me fez amar e não amou, nem pretendia.

Falou de tudo, do futuro e do passado.

Enquanto isso, fez de mim o que queria.

Eu me entreguei.

Me destruí sorrindo.

Só sei amar me consumindo,

me repartindo até o fim.

Passava o tempo e cada vez você mais fria.

Eu procurava por você, você fugia.

Quando eu falava, a palavra se perdia.

Você chorava, me beijava e me mentia.

E eu me entreguei.

Me destruí sorrindo.

Só sei amar me consumindo,

me repartindo até o fim.

Você chorava, me beijava e me mentia.

Você
 chegou para ficar e não ficou...

Parceria com Jean Garfunkel

São Paulo, 1972

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Morro de Rir

Mulher 213.jpg 

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Eu me sentei à mesa,
aceitei a tristeza,
e fiquei no meu canto.
Meus olhos, no entanto,
procuram parados.
Meu sonho cansado
atravessa o salão.


Eu me deitei na saudade,
e vesti a vontade
de pular na vida.
Entrei nos cordões
de tua alegria.
Entrei no teu dia,
e peguei tua mão


E agora eu morro de rir,
de cantar, de brincar.
Todo mundo de perna pro ar.
Quero sumir,
nos teus braços, fugir
que a alegria é capaz de matar.
Vem cá, vem cá, vem cá, vem cá!

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Parceria com Jean Garfunkel

São Paulo, 1972

Tempos Que Não Voltam Mais

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Hoje a roda é mais viva,

mais viva,

do que em outros carnavais.

Mas, eu vivo a lembrança,

tão viva,

dos tempos que não voltam mais

Passei meu tempo de criança

no mundo encantado da fantasia

Virei brinquedo da esperança,

e hoje sei que fui rei

entre flores e fadas;

e penei

em amores que não deram em nada.

Hoje a roda é mais viva

mais viva,

do que em outros carnavais.

E eu vivo a lembrança

tão viva,

dos tempos que não voltam mais.


Parceria com Michel Pedro Filho

Samba-enredo — Escola de Samba Roda Viva

Boa Esperança, 1972

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Mal de Tristeza

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Eu me perdi da alegria,

enquanto devia brincar de esquecer.

Via passar, sem sentido,

os cordões — que eu sabia —

e não pude fazer.

Junto ao compasso do frevo,

de gente que o passo

espaçava da dor,

meu carnaval sem confete

calava o meu canto

encantado de amor.

Ah, quem me dera esquecer

essa tristeza e você.

Ah, quem me dera apostar

que a tristeza vai passar,

que é hoje só,

amanhã não tem mais.

Eu me perdi da esperança

perdido nas tranças

de um sonho de amor.

No carnaval que fazia,

eu nem mesmo sabia

o motivo da dor.

Sem tamborim nem pandeiro,

eu fazia do baile

um lamento de mesa.

Ela passava e sorria,

e não sei se entendia

o meu mal de tristeza.

Ah, quem me dera esquecer

essa tristeza e você.

Ah, quem me dera apostar

que a tristeza vai passar,

que é hoje só,

amanhã não tem mais.

Parceria com Silvio Brito

São Paulo, 1968

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Sonhos e Cenas em Fim de Carnaval


Mulher 138.jpgÍndice Canções

Fim. Os tambores da festa
Calaram seu canto excitado;
um sopro de sonho ainda resta
nos olhos do namorado.

Pelo braço, a menina.
Pela frente a madrugada.
Um luar ainda ilumina
As promessas na calçada.

Carnaval é festival de ilusões.
de esperanças perdidas em salões.

Fim. A caminho da vida;
rei morto, rei posto;
Rei Momo abandona os cordões.
E o povo entre sonhos e cinzas
proclama outros reinos em suas canções.
O amor que você me negou não fez mal,
mesmo assim fiz meu carnaval.

Carnaval é festival de ilusões,
de esperanças perdidas em salões.



Parceria com Pedro Gomes da Silva e Sílvio Brito
Varginha, 1967

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